quinta-feira, 21 de julho de 2011

Aripiprazol no tratamento da irritabilidade em crianças e adolescentes com transtorno autístico


Olá Pessoal,


Hoje vou postar sobre um estudo de um medicamento chamado: ARIPIPRAZOL. Primeiramente usado para tratamento com indivíduos com diagnóstico de esquizofrenia e transtorno bipolar. Mas pesquisadores concluíram que este medicamento é eficaz no tratamento da irritabilidade e na agressividade de crianças e adultos com autismo, ou seja, o medicamento diminui consideravelmente estes sintomas. Com isso a criança e o adulto autista melhoram o comportamento e isso contribui para as terapias. Achei de grande valia dividir esta reportagem com vocês. Espero que gostem. Leiam a reportagem até o final.








Os pesquisadores notaram que apenas uma droga, a risperidona, foi aprovada pela FDA (US Food and Drug Administration) para reduzir a irritabilidade em crianças e adolescentes com autismo. A droga avaliada no estudo em questão é outra droga antipsicótica atípica, aprovada para o uso na esquizofrenia e no transtorno bipolar.
Este foi um estudo multicêntrico randomizado, controlado com placebo, conduzido entre 2006 e 2008, mas os pacientes só estiveram no protocolo de estudo por um período de 8 semanas.Cada criança completou um período de admissão de 6 semanas, durante o qual passou por uma consulta de rastreamento, período de clareamento e consulta para estabelecer uma linha de base.As crianças realizaram consultas semanais durante a fase de tratamento. Nas designadas ao tratamento, a dose da droga foi titulada de acordo com as avaliações dos investigadores, com uma dose inicial de 2 mg/dia, avançando 2 mg/dia (dose alvo: 5,10 ou 15 – o máximo – mg/dia).As mudanças de dose só podiam ser feitas nas consultas do estudo (por aumentos únicos e uma mudança por semana). Durante o período de clareamento, os pacientes interromperam todas as medicações psicotrópicas.Todos os pacientes tinham entre 6 e 17 anos na admissão, todos tinham diagnóstico de autismo e todos tinham comportamento agressivo, irritável ou autolesivos demonstrados. Todas as crianças inscritas também tinham escores significativamente elevados no Questionário de Comportamento Aberrante (Aberrant Behavior Checklist, ABC), uma escala que mede irritabilidade.O ABC avalia o grau no qual crianças exibem comportamentos inapropriados como agressão para crianças ou adultos, irritabilidade, surtos de ódio, humor depressivo ou gritos.O resultado primário de interesse foi a mudança média no escore ABC, completado pelo cuidador da criança, a partir da consulta de base para o final do estudo.Outras avaliações de comportamento também foram completadas, incluindo observações dos investigadores. Para avaliar a segurança da droga, os investigadores coletaram eletrocardiogramas, testes laboratoriais e escalas que mediam movimento para avaliar sintomas extrapiramidais.Após a inscrição, 51 pacientes foram designados randomicamente para o placebo e 15 (29,4%) desses não completaram o estudo (6 se retiraram por ineficácia).Quarenta e sete crianças foram designadas para o aripiprazol e 8 (17%) não completaram o estudo (apenas 1 por ineficácia). Ao final do estudo, 5% das crianças em tratamento estavam recebendo 2 mg/dia; 33% 5 mg/dia; 41% 10 mg/dia e 21% 15 mg/dia.Tanto os grupos placebo quanto tratamento apresentaram uma redução nos escores ABC ao longo do período de tratamento, mas a redução foi maior nos em uso da droga (escore ABC 12,9 contra 5,0 para placebo).Os escores clínicos médios para medidas de comportamento e qualidade de vida também melhoraram em crianças em uso da droga, comparadas com o grupo placebo. Efeitos adversos foram mais comuns entre crianças no grupo de tratamento, ocorrendo em 91,5% das crianças tratadas em comparação com 72% no placebo.Os efeitos adversos mais comuns em pacientes tratados foram sonolência (17%), sedação (10,6%), sialorreia ou tremores (ambos 8,5%), vômitos (14,9%) e fadiga (21,3%). Pacientes no grupo placebo foram mais propensos a apresentar cefaleia (16%) e agressão (8%).Sintomas extrapiramidais (principalmente tremores) foram mais comuns entre pacientes tratados (14,9% contra 8%), mas os escores médios nas escalas de avaliação de sintomas extrapiramidais não diferiram muito entre os dois grupos.As crianças no grupo de tratamento mostraram maior taxa de ganho de peso que no grupo placebo.No geral, 10,6% das crianças tomando aripiprazol e 5,9% das crianças tomando placebo interromperam seu uso pelos efeitos adversos. Os investigadores concluíram que o aripiprazol foi eficaz na redução dos sintomas de irritabilidade entre as crianças com autismo, e que esse efeito foi observado nas avaliações clínicas e dos pais.



Aripiprazol no tratamento da irritabilidade em crianças e adolescentes com transtornos autísticos. Owen R, Sikich L, Marcus RN, et al
Pediatrics. 2009;124:1533-1540


O objetivo do estudo foi avaliar a eficácia e a segurança a curto prazo do aripiprazol no tratamento da irritabilidade em crianças e adolescentes com transtorno autístico que manifestavam comportamentos como surtos de cólera, agressão, comportamento autolesivo ou uma combinação desses.MétodosEste estudo de grupos paralelos, randomizado, placebo controlado e duplo cego de 8 semanas foi conduzido em crianças e adolescentes (6 a 17 anos) com transtorno autístico.

Os pacientes foram randomicamente (1:1) designados para aripiprazol em dose flexível (dose alvo: 5, 10 ou 15 mg/dia) ou placebo. Medidas de eficácia dos resultados incluíram a sub escala de irritabilidade ABC (Aberrant Behavior Checklist)e o CGI-I (Clinical Global Impression-Improvement). Também foram avaliadas segurança e tolerabilidade.


Resultados99 pacientes foram randomicamente designados para receber placebo (n = 51) ou aripiprazol (n = 47). A melhora média no escore ABC foi, significativamente maior com o aripiprazol que com o placebo da semana 1 para a 8.O aripiprazol demonstrou melhora global, significativamente maior do que com o placebo, avaliada pelo escore CGI-I médio da semana 1 para a 8; no entanto, ainda podem persistir sintomas residuais significativos em alguns pacientes.

As taxas de abandono do tratamento como resultado de efeitos adversos (EAs) foi 10,6% para o aripiprazol e 8,0% para o placebo. As taxas de EAs relacionados a sintomas extrapiramidais foram 14,9 para o aripiprazol e 8,0% para o placebo.
Não foram relatados EAs sérios. O ganho de peso médio foi de 2,0 kg para o aripiprazol e 0,8 kg para o placebo na semana 8.


ConclusõesO aripiprazol foi eficaz em crianças e adolescentes com irritabilidade associada a transtorno autístico e foi, geralmente segura e bem tolerada.

1 comentários:

Claudia Collares disse...

pq esse remédio é tão caro?

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